‘Justiça começou a ser feita’ diz Geisy Arruda

O caso que repercutiu o Brasil todo e que causou muita polêmica ainda tem muita coisa a ser tratada e decidida.Geisy Arruda, afirmou que a "justiça começou a ser feita" ao deixar a sede da Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, em São Bernardo do Campo, no ABC, na tarde desta quita-feira (26).
Acompanhada do advogado criminalista Marcelo Chilelli, ela chegou ao local por volta das 13h45 e saiu às 17h10. O depoimento de Geisy Arruda no inquérito que apura a humilhação sofrida por ela no campus da Uniban no dia 22 de outubro foi assistido pelo advogado da instituição de ensino, Vicente Cascione. Ao término do depoimento, a delegada Angela de Andrade Ferreira Ballarini não se pronunciou.
"Acredito que sim, que está começando a se fazer justiça. No depoimento, não falei nada diferente do que vocês (da imprensa) já sabiam, mas pude contar detalhes e apontar todos os envolvidos, para que os culpados sejam punidos. Vou lutar até o fim para isso", afimou.
Geisy, inclusive, confirmou uma informação dada momentos antes pelo advogado da Uniban, de que teria havido uma briga entre um aluno de sua turma com um segurança da universidade e que, este fato, teria contribuído para acirrar os ânimos dos demais estudantes que a hostilizaram.
"Houve uma discussão, sim. O segurança falou alto comigo e minha amiga me defendeu. Em seguida, eles bateram boca e o irmão dela também discutiu com o segurança. Com certeza, isso deu mais motivação para os outros alunos, que começaram a se pendurar nas paredes para ver o que estava acontecendo, a bater nas portas e paredes", relatou Geisy.
Para Cascione, o depoimento de Geisy isenta de qualquer tipo de culpa a instituição de ensino no episódio. "O depoimento dela é claríssimo no sentido de que não houve nem ação nem omissão por parte da Uniban", declarou. Segundo ele, as ofensas e hostilidade a Geisy só começaram depois da discussão na sala e quando ela saiu escoltada por policiais militares e de jaleco.
O inquérito apura sete crimes: difamação, injúria, ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado (a garota ficou em uma sala até a PM chegar), incitação ao crime e ato obsceno dos alunos. Colegas da estudante já prestaram depoimento na delegacia.
Caso
A confusão na universidade teve início após Geisy ir à aula com um vestido rosa curto. Vídeos foram colocados na internet, mostrando os alunos hostilizando e humilhando a garota. Ela só conseguiu deixar a universidade após a chegada da polícia, vestindo um jaleco comprido.
A universidade abriu uma sindicância interna para apurar o que ocorreu e acabou expulsando a jovem. Depois, voltou atrás e decidiu manter a aluna.
O caso repercutiu até na mídia internacional. Os jornais "The Guardian" e "New York Times" publicaram notas reproduzidas da agência Associated Press (AP) sobre o assunto. Nesta terça, a reportagem sobre o caso era a mais lida do site do "El País".
A jovem disse que desistiu de voltar a frequentar a Uniban por "não ter mais clima” para voltar ao campus. “Farei uns seis vestibulares para decidir o melhor."
Fonte: G1
A UNIBAN decidiu voltar atrás e não expulsar a estudante Geisy Arruda

Logo no início da noite de segunda-feira (9),três dias após decidir pela expulsão da estudante de turismo Geisy Arruda, de 20 anos, a Uniban recuou e resolveu aceitar que ela volte a frequentar a universidade.
A informação, confirmada pelo assessor jurídico da universidade, Décio Lecioni Machado - hostilizada no dia 22 de outubro por ter ido à aula com um vestido curto - ter informado à imprensa que procuraria a Justiça nesta terça (10) para pedir o retorno da jovem à sala de aula.
Em nota à imprensa (veja a íntegra no fim da página), a Uniban informou que, “de acordo com o artigo 17, incisos IX e XI de seu regimento interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (Consu) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão”.
A expulsão se tornou pública após a instituição veicular anúncio publicitário nos jornais deste domingo (8).
Logo após saber da nova posição da instituição particular de ensino, o G1 entrou em contato com Nehemias de Melo, que defende Geisy. O advogado informou que não havia sido informado oficialmente sobre a volta da aluna de turismo. "Eles devem ter parado para refletir", comentou. Em entrevista coletiva na tarde desta segunda, Geisy informou que quer concluir o semestre na Uniban, mas pretende mudar de faculdade ano que vem.
O Ministério Público Federal de São Paulo anunciou que instaurou um inquérito civil público para apurar a sindicância feita pela Uniban que havia resultado na expulsão de Geisy, que cursava turismo no campus de São Bernardo, ABC, desde fevereiro. Segundo órgão, o inquérito pretendia averiguar se a aluna teve o direito de defesa respeitado.
A expulsão se tornou pública após a instituição veicular anúncio publicitário nos jornais deste domingo (8) e alegar que a jovem cometeu “flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.
A jovem foi humilhada e agredida verbalmente pelos estudantes da Uniban por ter ido à universidade usando roupa curta. Geisy precisou ser escoltada pela polícia e deixou a universidade em meio a xingamentos.
Procon
Ainda nesta segunda-feira, a Fundação Procon-SP instaurou um procedimento administrativo para averiguar a conduta da Universidade Bandeirante (Uniban) ao expulsar a estudante. Em comunicado, o Procon-SP afirmou que, “na qualidade de órgão de defesa do consumidor, entende ser de fundamental importância verificar de que forma a Uniban, prestadora de serviços educacionais, pautou a sua decisão de quebrar o contrato com a aluna e consumidora de forma unilateral”.
Antes de saber que a Uniban voltou atrás, o Procon-SP adiantou que a universidade seria chamada para prestar esclarecimentos e que o órgão irá analisar os fatos e, posteriormente, “adotar as medidas pertinentes de acordo com o que estabelece o Código de Defesa do Consumidor”. Se for constatada alguma irregularidade nesta quebra de contrato, a Uniban poderá ser multada. De acordo com o código, a multa mínima é de R$ 212,88 e pode passar dos R$ 3 milhões.
OAB-SP
A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) também divulgou nota nesta segunda-feira repudiando a decisão da Uniban em expulsar a estudante, qualificando a atitude como “forma de intolerância”.
No documento, a OAB-SP diz esperar “um amplo debate sobre a questão com a participação das partes, apuração isenta dos fatos e a fixação de regras claras que não deixem, no futuro, margem para incentivar novos atos de violência ou qualquer preconceito”.
Veja íntegra da nota da Uniban:
"O Reitor da Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL, de acordo com o
artigo 17, incisos IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do
Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio
do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com
isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão".
Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL
Fonte: G1
As despesas com o Enem já superam os R$ 130 milhões

Depois de toda a confusão que houve com o Enem 2009,e a preparação da nova prova,o governo avaliou os gastos no total de R$ 130 milhões.
Com a data marcada para ocorrer nos dias 5 e 6 de dezembro, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá um custo operacional de R$ 99,9 milhões. O contrato assinado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e pelo consórcio formado pela Fub/Cespe e Cesgranrio foi publicado na edição desta quinta-feira (22) do Diário Oficial da União. O valor confirma a previsão realizada pelo ministro Fernando Haddad, em 27 de agosto, para a primeira prova do Enem.
Realizada em caráter emergencial, a contratação do consórcio, que já atuou em outras edições do exame, foi realizada sem a realização de licitação. Segundo o extrato publicado pelo Inep, o consórcio será responsável pela "operacionalização de procedimentos relativos ao Enem 2009, conforme condições e especificações contidas no projeto básico". A portaria não apresenta detalhes sobre esse projeto básico
A contratação do consórcio foi ordenada pelo Ministério da Educação depois que a primeira prova do exame foi alvo de vazamento, no dia 1 de outubro. Com a contratação, as depesas do novo Enem já superam os R$ 130 milhões. A impressão da nova prova vai custar R$ 31, 9 milhões ao MEC. O contrato celebrado pelo Inep com a gráfica “RR Donnelly Moore” foi publicado no dia 14 deste mês no DOU.
Além da impressão das provas, a gráfica será responsável pelo manuseio, embalagem, rotulagem e entrega dos cadernos de provas do Enem aos Correios.
A contratação da nova gráfica não apresentou detalhes sobre possíveis procedimentos de segurança que terão de ser adotados pela empresa para evitar que um novo vazamento, como o ocorrido no dia 1º de outubro, volte a acontecer. A notícia de quebra do sigilo do exame fez com que o MEC cancelasse a prova.
Após a fraude, o MEC rompeu o contrato com o consórcio Connasel, responsável pela aplicação do primeiro exame. A empresa negou a existência de falhas na segurança. Investigação da Polícia Federal já levou ao indiciamento cinco suspeitos pelo delito.
A primeira licitação havia sido fechada em R$ 116 milhões. A parte de impressão das provas custaria R$ 30 milhões e a aplicação do exame R$ 86 milhões. Dados do ministério mostram que pelo menos R$ 35 milhões já haviam sido pagos. O novo contrato já é R$ 16 milhões mais caro que o primeiro. Uma investigação administrativa coordenada pelo Inep apura se o consórcio foi, de fato, responsável pelas falhas que levaram ao vazamento do exame. Caso o consórcio seja considerado culpado, o MEC irá pedir a devolução dos recursos já utilizados na impressão e logística da primeira prova.
Em audiência na Câmara e no Senado no dia 14 deste mês, Haddad revelou a descoberta de uma suposta falha na segurança do esquema armado para imprimir e distribuir a prova do primeiro exame. Na gráfica onde os cadernos de prova eram impressos, um galpão teria sido aberto, sem a autorização do MEC, para manuseio das provas. Teria sido nesse local que o vazamento teria ocorrido. Mantida em sigilo, a investigação ainda está em andamento no Inep.
O MEC, em parceria com a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança e os Correios, trabalha para elaborar uma nova estratégia de segurança para evitar outro boicote ao Enem. Esse planejamento é mantido em sigilo para evitar o comprometimento das operações. Os valores relativos à operação dos Correios ainda não foram divulgados.
Fonte: G1
Estudantes de Bauru viram empresários com game de sustentabilidade
Todos que conversam com Túlio Soria não imagina que o jovem de 22 anos já é um empresário de sucesso na indústria de videogames brasileira.Ao lado de mais dois colegas de faculdade, ele comanda seu próprio estúdio de desenvolvimento de jogos, lançou um game no exterior e produz um título exclusivo para o iPhone. Agora, ele se prepara para trazer ao Brasil a versão em português do principal título de sua produtora, “City rain”, jogo com foco na sustentabilidade que será lançado no SB Games, Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital, que ocorre no Rio de Janeiro até este sábado (10).
O jogo é vendido por meio de download e custa US$ 9,95. Por enquanto, a versão é em inglês. O game em português estará disponível a partir de segunda-feira (12) pelo mesmo preço.
“City Rain”, um game com temática educacional, mistura dois jogos bastante conhecidos dos gamers: “Tetris” em “Sim city”. O primeiro é um game que tem como objetivo encaixar peças com formas geométricas variadas e formar linhas cheias para fazer com que elas sumam da tela. Foi criado pelo russo Alexey Pajitov em 1984. O segundo, desenvolvido pelo designer americano Will Wright em 1989, coloca o jogador no papel de prefeito de uma cidade.

A mistura que originou “City rain” também exige que o jogador seja o prefeito de uma cidade, focando na criação de um ecossistema auto-sustentável. A diferença é que “peças” como casas, escolas, shoppings, aterros sanitários e indústrias caem do céu e é preciso pensar rápido para colocá-las no lugar certo sem prejudicar a natureza.
Longa história
Até chegar a ser comercializado, o jogo criado por Túlio e mais dois amigos, Guilherme Camargo, 23 anos, e Rafael Fantini, 22 anos, hoje sócios da empresa Mother Gaia Studio, passou por um longo caminho. “A nossa intenção era desenvolver um projeto para ganhar notoriedade e dinheiro para abrir uma empresa própria”, explica Túlio. “A solução foi entrar em competições de desenvolvimento de jogos como a Imagine Cup”.
A competição anual de tecnologia é organizada pela Microsoft e premia os melhores projetos desenvolvidos por estudantes no mundo todo.
O grupo de estudantes da Unesp-Bauru foi o primeiro lugar na edição 2008 da Imagine Cup com o jogo “City rain”, embolsando US$ 25 mil. O dinheiro foi usado para montar a empresa na cidade e tornar o game um verdadeiro negócio. “Trabalhamos durante finais de semana e feriados para melhorar nosso jogo”, conta Túlio. “Durante quase um ano, ficamos encubados em outra empresa, a MStech, para aprender a lidar com questões empresariais. Em abril deste ano, fundamos nossa própria produtora”.
A parceria com um grande banco brasileiro deu ainda mais gás aos estudantes. Eles desenvolveram uma versão do título para o site do banco e um jogo para ensinar jovens a cuidar do seu dinheiro.
Com o investimento para melhorar “City rain”, o grupo viajou até São Francisco, nos Estados Unidos, para participar do Independent Game Festival, competição mundial de jogos independentes. Eles não venceram, mas conseguiram colocar seu jogo em um grande site de games internacional para ser vendido por meio de download. “O game ganhou destaque durante a competição, mas depois de um tempo as vendas caíram. Assim, procuramos apoio para fortalecer o marketing do ‘City rain’”, afirma Túlio. “Foi quando fechamos uma parceria com a empresa canadense Ovolo Corporation. Aí, tudo começou a melhorar”.
Em busca do sucesso
O negócio fechado em março deste ano transformou ‘City rain’ de um excelente jogo feito por universitários em um excelente game casual feito por uma grande empresa. A Ovolo mudou o logotipo de “City rain”, melhorou os gráficos do jogo, colocou trilha sonora feita por um profissional e criou uma história e missões entre as fases para cativar os jogadores.

“Agora, você faz parte da corporação Rain que luta contra uma empresa rival que está poluindo o meio ambiente”, explica o jovem empresário. À venda desde o início do ano no site da Ovolo, ‘City rain’ alcançou boas vendas, embora a Mother Gaia não divulgue as informações. Entretanto, por ser em inglês, o sucesso se concentrou na América do Norte e na Europa.
O lançamento em português no SB Games ocorre em um momento que os jovens estudantes-empresários de Bauru analisam o mercado de games nacional. Entretanto, o evento não tem o apelo comercial desejado por eles. “Infelizmente, é o maior evento de videogames no Brasil. Ele é muito focado no desenvolvimento e pouco comercial. É difícil fechar negócios com alguma empresa lá”, lamenta Túlio. “Há, ainda, o problema da pirataria no país. Por isso, não estamos preocupados com as vendas aqui. Sabemos que muitos comprarão ‘City rain’, mas o jogo, certamente, será pirateado.” Infelizmente a pirataria acaba sendo um meio de divulgar um jogo no Brasil.
O estúdio Mother Gaia já trabalha com os olhos no futuro. Nas próximas semanas, eles lançarão “Sophie’s dreams” para o iPhone. O jogo do gênero de plataforma, aos moldes de “Super Mario bros.” coloca o jogador na pele de Sophie, que está perdida em um mundo de sonhos onde ela deve sair através de cartas que são encontradas nos cenários.
Há, também, outro projeto no qual os jovens de Bauru trabalham atualmente. Mas como uma grande produtora internacional de jogos (o Mother Gaia Studio conta com 12 profissionais no total), eles não revelam nada sobre o novo trabalho. “Revelaremos quando for comercialmente viável para nós”, diz Túlio.
Os jovens estão na etapa final da seleção da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Caso sejam os vencedores, ganharão um investimento de R$ 120 mil para continuar com o objetivo de sua empresa: fazer jogos educativos que ensinem. Assim, no ano letivo de 2010, poderemos ver ‘City rain’ sendo usado para ensinar alunos das escolas brasileiras a ter noções de sustentabilidade e cuidar da natureza.
Fonte: G1






